Eu ainda era só uma criança.
E nem fazia ideia de que, naquele lugar, eu conheceria alguém que continuaria fazendo parte da minha história tantos anos depois.
Eu era bagunceiro.
VocĂȘ era fofinha, quietinha e calma.
E eu nem sabia direito o que significava gostar de alguém daquele jeito.
SĂł sabia que, quando meus olhos encontravam vocĂȘ, alguma coisa em mim ficava diferente.
Mas a vida fez aquilo que ela sempre faz:
continuou andando.
Eu acabei saindo do Educandårio e fui estudar no Colégio São Francisco.
VocĂȘ ficou por lĂĄ por mais alguns anos.
E por um tempo, nossos caminhos seguiram separados.
Eu sĂł nĂŁo sabia que aquilo estava longe de ser o fim da nossa histĂłria.
Até que um dia...
eu vi vocĂȘ de novo.
No meio de tanta gente, meus olhos fizeram exatamente a mesma coisa que faziam anos antes:
encontraram vocĂȘ.
A gente foi ficando cada vez mais prĂłximo.
E eu virei seu melhor amigo.
Enquanto vocĂȘ virava uma das pessoas mais importantes para mim.
E os anos foram passando.
Vieram conversas, brincadeiras, risadas e dias comuns que hoje jĂĄ nĂŁo parecem tĂŁo comuns assim.
Porque eram dias em que eu tinha vocĂȘ por perto.
O que vocĂȘ nĂŁo sabia...
era que eu gostava de vocĂȘ em silĂȘncio.
Eu cuidava de vocĂȘ, conversava com vocĂȘ, tentava estar presente...
e guardava uma parte de tudo aquilo sĂł para mim.
Ăs vezes eu atĂ© imaginava como seria crescer e ainda ter vocĂȘ comigo.
Sem perceber...
a gente cresceu.
9Âș ANO.
O Luiz bagunceiro de 2018 jĂĄ nĂŁo era mais tĂŁo pequeno.
E aquela garotinha calma também tinha crescido.
Mas tinha uma coisa que continuava exatamente igual:
meus olhos ainda encontravam vocĂȘ.
E depois de tantos anos escondendo aquilo...
eu descobri uma coisa que parecia impossĂvel para aquele Luiz de 2018.
VocĂȘ tambĂ©m gostava de mim.
E de repente, todos aqueles anos, todos aqueles olhares, todas aquelas pequenas coisas...
pareciam ter nos trazido até aquele momento.
Pouco tempo depois, a minha melhor amiga virou também alguém que eu podia amar sem precisar esconder.
Nove meses parecem apenas um nĂșmero.
Mas dentro deles coube um pedaço enorme da minha vida.
Nem todos os capĂtulos foram fĂĄceis.
A gente riu. A gente chorou. Teve medo. Teve dias bons. Teve dias que doeram.
Mas nenhuma dificuldade consegue apagar tudo de bonito que eu vivi com vocĂȘ.
E muito menos o carinho que eu sinto quando lembro de nĂłs.
E sabe o que talvez seja a parte mais bonita?
Eu ainda consigo imaginar coisas que nunca vivemos.
Lugares que ainda nĂŁo conhecemos.
Risadas que ainda nĂŁo demos.
Conquistas que ainda nĂŁo comemoramos.
HistĂłrias idiotas que ainda vamos contar e lembrar anos depois.
Eu nĂŁo sei exatamente como serĂĄ o amanhĂŁ.
SĂł sei que, quando imagino alguns dos meus dias mais bonitos...
vocĂȘ aparece neles.
Ăs vezes eu paro para pensar em como tudo isso começou... Em 2018, eu era sĂł um menino bagunceiro que nem sabia explicar direito o que era amar alguĂ©m. E vocĂȘ era aquela menina fofinha e calma que, sem perceber, fazia meus olhos pararem nela.
O tempo passou. A gente cresceu, mudou de escola, mudou de idade e mudou em tantas coisas... mas, de algum jeito, a vida colocou vocĂȘ no meu caminho outra vez.
Depois vieram as conversas, as risadas, a amizade, as Tortuguitas e aqueles pequenos cuidados. Coisas que pareciam simples quando aconteceram, mas que hoje sĂŁo algumas das lembranças que eu guardo com mais carinho. đ
Durante muito tempo eu gostei de vocĂȘ sem vocĂȘ saber. Antes mesmo de conseguir chamar aquilo de amor, eu jĂĄ queria ver vocĂȘ sorrindo, jĂĄ me importava com vocĂȘ e jĂĄ gostava de ter vocĂȘ por perto.
EntĂŁo eu descobri que vocĂȘ tambĂ©m sentia algo por mim. E aquela garota que por tantos anos tinha sido minha melhor amiga virou parte de um capĂtulo que eu imaginava em silĂȘncio sem saber se algum dia realmente aconteceria.
A gente jĂĄ viveu coisas lindas, coisas bobas e tambĂ©m coisas difĂceis. Nossa histĂłria nunca precisou ser perfeita para ser importante para mim. Ela sĂł precisava ser nossa.
E depois de tudo isso, quando olho para vocĂȘ, ainda consigo enxergar um pedacinho daquela menina de 2018. A diferença Ă© que agora eu finalmente sei o nome daquilo que eu nĂŁo entendia naquela Ă©poca.
Eu amo vocĂȘ.
Amo as lembranças que jĂĄ construĂmos e gosto de imaginar as que ainda poderĂamos construir: lugares que ainda nĂŁo conhecemos, risadas que ainda nĂŁo demos, sonhos para realizar e histĂłrias que ainda nem existem.
Eu nĂŁo sei exatamente o que o futuro guarda. Mas quando imagino alguns dos capĂtulos mais bonitos que eu ainda gostaria de viver... vocĂȘ ainda aparece entre as pĂĄginas.
De 2018 até 2026, aquela criança que não sabia explicar o amor cresceu. E hoje ela sabe.
Uma história que começou quando eu nem sabia o nome do que estava sentindo.